Mercado de Óleo e Gás

O foco das atividades da QGEP está na exploração de petróleo e gás, matérias primas do mercado de energia. Além do óleo e do gás, o carvão, as diversas fontes renováveis e a geração de eletricidade hidroelétrica e nuclear compõem este mercado.

Nesta seção, apresentamos dados do mercado de óleo e gás  disponibilizados por fontes reconhecidas de consulta: o estudo BP’s Energy Outlook 2035 (“BPEO 2035”), publicado em fevereiro/2016 pela BP, o Anuário Estatístico do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2015 (“Anuário Estatístico ANP 2015”), publicado pela ANP em 2015, o Relatório Final do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2015 da EPE (“BEN 2015”), bem como dados mais atuais do setor de óleo e gás brasileiro retirados de diversas publicações mensais da ANP, intituladas Boletim Mensal de Produção do Brasil.

De acordo com o BPEO 2035, o consumo de energia deverá aumentar 34% no período de 2014 a 2035. Essa expansão será em função tanto do crescimento da economia global quanto do aumento da população mundial – no cenário base, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial deverá mais que dobrar, sendo que aproximadamente 80% desse aumento será em função de melhorias relacionadas à produtividade e 20% decorrente ao aumento populacional.

Quase a totalidade do crescimento virá pela demanda das economias emergentes, notadamente, as asiáticas, China e Índia, dado o seu processo de industrialização e eletrificação, embora o crescimento da demanda por energia na China esteja reduzindo na medida em que a sua economia se reequilibra a taxas de crescimento mais sustentáveis devido à reforma econômica no país.

Os combustíveis fósseis permanecerão sendo a principal fonte fornecedora de energia para a economia global, responsáveis por cerca de 60% do crescimento de energia, e corresponderão por cerca de 80% da oferta total de energia em 2035. Destes, o gás natural será o combustível que crescerá à maior taxa, de 1,8% a.a., aumentando a sua participação no fornecimento de energia primária. O petróleo, por sua vez, continuará a crescer, à taxa de 0,9% a.a., mas sua participação no fornecimento de energia mundial irá diminuir.

Óleo

Ainda segundo o BPEO 2035, o mercado de óleo está se recuperando paulatinamente da redução brusca dos preços de petróleo verificada desde o final de 2014 – o recente baixo patamar de preços do barril tem aumentado a demanda pelo recurso, ao passo que também tem contraído a oferta devido à menor rentabilidade com a comercialização do hidrocarboneto neste cenário de baixa. O aumento esperado do consumo de combustíveis líquidos de 2014 para 2035 será predominantemente decorrente do crescimento da frota global de automóveis em países emergentes, que deverá dobrar no período, passando de 1,2 bilhões em 2014 para 2,4 bilhões em 2035, bem como devido à expansão da indústria petroquímica no período. Cabe ressaltar que mais de 40% do óleo utilizado nas atividades industriais não é para fins de combustão, portanto é menos afetado por políticas climáticas.

De acordo com o BPEO 2035, a demanda global por combustíveis líquidos (óleo, biocombustíveis e outros líquidos) deverá crescer aproximadamente 20 milhões de barris por dia, alcançando 112 milhões de barris por dia em 2035. O aumento da demanda deverá estar concentrado em países de economia emergentes, principalmente China e Índia, que juntas são responsáveis por mais da metade do aumento.

Em relação à oferta, a maior parte do aumento virá dos países que não fazem parte da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), contribuindo com acréscimo de 11 milhões de barris por dia, enquanto os países da OPEP terão aumento de 7 milhões de barris por dia. A totalidade do aumento da oferta nos países não OPEP virá do continente americano -  do gás de xisto dos EUA, das águas profundas brasileiras e dos arenitos de óleo do Canadá. 

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

Ao final de 2014, as reservas provadas de petróleo mundiais eram de 1,7 trilhões de barris de óleo, um aumento de 24% na última década. O Oriente Médio responde por 48% das reservas provadas de petróleo no mundo e a Venezuela é o país com a maior reserva provada de petróleo, detendo sozinha 18% da reserva mundial, seguida pela Arábia Saudita, com 16%.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

Em 2014, o volume de petróleo produzido no mundo foi de 88,7 bilhões de barris por dia, aumento de 2% em relação a 2013. A região que mais apresentou aumento de produção foi a América do Norte, com 11%, enquanto a África foi a única região que apresentou queda, de significativos 5%. Os maiores países produtores de óleo no mundo em 2014 eram: Estados Unidos, com 11,6 milhões bbl/d, Arábia Saudita, com 11,5 milhões bbl/d e Rússia, com 10,8 milhões bbl/d.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

O consumo mundial de petróleo em 2014 totalizou 92,1 milhões de barris por dia, aumento de 1% em relação a 2013. Os Estados Unidos permaneceram na primeira posição como o maior país consumidor de óleo, com 21%, seguido por China, com 12%, e Japão, com 5%. O Brasil foi o quinto maior consumidor de óleo em 2014.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

A taxa composta anual de crescimento de produção de óleo no mundo foi de 0,8% de 2005 a 2014, enquanto o crescimento do consumo foi de 0,9% neste período. Em 2014, o preço do barril de óleo tipo WTI teve cotação média de US$93,3/bbl no mercado spot, enquanto o tipo Brent teve cotação média de US$99,0/bbl, ambos apresentando redução em relação aos valores médios do ano anterior. A diferença de preço entre o Brent e o WTI reduziu de US$10,7/bbl em 2013 para US$5,7/bbl em 2014, em função principalmente do aumento de produção de petróleo nos Estados Unidos, gerando acréscimo de estoques em Oklahoma, no ponto de distribuição do WTI, e gerando desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gás

De acordo com o BPEO 2035, a demanda mundial por gás será a de maior crescimento dentre todos os combustíveis de 2014 a 2035, a uma taxa anual de 1,8% a.a. neste período. Este expressivo crescimento será possibilitado devido à grande oferta de gás e como decorrência de políticas de estímulo ambiental que favorecem o consumo. A maior parte do aumento da demanda virá da expansão das economias dos países emergentes, com China e Índia, que juntas serão responsáveis por 30% do aumento e o Oriente Médio, mais de 20%. O aumento da utilização do gás nas economias emergentes será direcionado ao setor industrial e à geração de energia elétrica.

O aumento na oferta de gás se dará em função tanto do aumento da produção de gás convencional quanto da de gás de xisto. Grande parte do aumento da produção convencional virá dos países que não são membros da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), com aumentos pontuais no Oriente Médio, China e Rússia. Segundo o BPEO 2035, a participação do gás de xisto na produção total aumentará de 10% para 25% em 2035.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

As reservas provadas de gás natural no mundo ao final de 2014 eram de 187,1 trilhões de m³, aumento de 19% na última década. O Oriente Médio responde por 43% das reservas provadas de gás natural no mundo e o Irã é o país com a maior reserva provada de gás, detendo 18% da reserva mundial, seguido pela Rússia, com 17%.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

O volume mundial de gás produzido em 2014 totalizou 3,5 trilhões de m³, aumento de 2% em relação a 2013. Os Estados Unidos permaneceram na primeira posição como maior país produtor de gás, com 21%, seguido por Rússia, com 17%, e Catar, com 5%. O Brasil foi o 30º maior produtor de gás em 2014.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

O consumo mundial de gás em 2014 totalizou 3,4 trilhões de m³, aumento de 3% em relação a 2013. Os Estados Unidos permaneceram na primeira posição como maior país consumidor de gás, com 22%, seguido por Rússia, com 12%, e China, com 5%. O Brasil foi o 23º maior consumidor de gás em 2014.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

A taxa composta anual de crescimento de produção de gás no mundo foi de 2,2% de 2005 a 2014, enquanto o crescimento do consumo foi de 2,0% neste período. 

Mercado Energético Brasileiro

Conforme o BEN 2015, a oferta de energia no Brasil foi de 272,6 milhões de tep em 2014, aumento de 6% em relação a 2013. O petróleo se destaca como a principal fonte energética representando 43% do total, um aumento em relação a 2013, quando correspondia a 41% do total. A segunda maior fonte de energia produzida foram produtos derivados da cana-de-açúcar, com participação de 18%, seguidos por gás e energia hidráulica, com participação de 12% cada.

Fonte: BEN 2015

Na última década, o gás natural foi a fonte de energia que apresentou a maior taxa de crescimento anual, de 6%, seguido por derivados da cana-de-açúcar, com 5%, e pelo petróleo, que apresentou taxa de crescimento composta anual de 3%.

Fonte: BEN 2015

Em 2014, o consumo final de energia no Brasil foi de 265,9 milhões tep, aumento de 2% em relação a 2013. A indústria foi responsável por 33% do consumo energético no país, sendo que nela predominou o uso de derivados de petróleo, com 44%, seguido pela energia elétrica, com 17% de participação. O gás teve participação de 7% no consumo final.

Fonte: BEN 2015

Na última década, o álcool etílico foi a fonte de energia que mais teve o maior aumento de consumo, com taxa composta de crescimento anual de 6%, seguido por energia elétrica, com 4%, e por derivados de petróleo e gás natural, cada um com 3%.

Fonte: BEN 2015

O setor de transportes foi o maior consumidor de derivados do petróleo em 2014, responsável por 57% de participação, seguido pelo consumo industrial, com 10% do consumo de derivados. Na última década, o setor de transportes apresentou uma taxa composta de crescimento anual de crescimento do consumo de derivados de petróleo de 1%, enquanto o setor industrial decresceu 3% anualmente no mesmo período.

Mercado de Óleo e Gás no Brasil

Ao final de 2014, o Brasil era o 13˚ maior produtor de petróleo no mundo com uma produção de 2,3 milhões de barris por dia, aproximadamente 3% do total produzido mundial. No mesmo ano, o consumo de óleo foi de 3,2 milhões de barris por dia - cerca de 4% do total mundial -  fazendo do país um importador líquido, na 5ª posição de consumo mundial de óleo.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

Em 2014, o Brasil ficou na 30ª posição no ranking global de maiores produtores de gás, com produção de 20 bilhões de m³ em 2014, quase o dobro do volume de 11 bilhões de m³ registrado uma década antes. Neste período, o consumo nacional de gás duplicou, passando de 20 para 40 bilhões de m³ e fazendo do país importador líquido de gás.

Fonte: Anuário Estatístico ANP 2015

No Brasil, as reservas provadas de óleo eram de 16,2 bilhões de barris ao final de 2014, aumento de 4% comparado a 2013 e de 37% na última década. Em relação ao gás, as reservas provadas nacionais eram de 0,5 trilhões m³, aumento de 2% em relação a 2013 e 53% em relação à última década. O país atingiu uma nova condição no mercado internacional de petróleo e gás natural com a descoberta de novas jazidas de petróleo e gás na camada pré-sal que foram anunciadas em 2006 e cujo primeiro óleo foi extraído em 2008. Hoje, com cerca de 1% das reservas mundiais de petróleo, o Brasil ocupa a 15ª posição em reservas de petróleo.

Dados Trimestrais de Produção de Óleo e Gás no Brasil

A produção média de petróleo no quarto trimestre de 2015 foi de 2.440 kbbl/d, 1% inferior em relação ao trimestre anterior e 1% superior quando comparada ao quarto trimestre de 2014. A produção média de gás no mesmo período foi de 613 kbbl/d ou 97 MMm³/d, estável comparada ao terceiro trimestre de 2015 e alta de 5% em relação ao quarto trimestre de 2014.

Fonte: Boletim Mensal Da Produção De Petróleo E Gás Natural da ANP – dados consolidados mensais

A aceleração da produção do pré-sal é responsável por grande parte deste acréscimo, ainda que do terceiro trimestre de 2015 para o quarto trimestre de 2015 ele tenha permanecido estável: no quarto trimestre, a produção média de petróleo do pré-sal foi de 34% em relação ao volume total de petróleo produzido no país, permanecendo estável em relação ao percentual do terceiro trimestre de 2015, mas representando um expressivo aumento quando comparado a 26% no quarto trimestre de 2014.

Fonte: Boletim Mensal Da Produção De Petróleo E Gás Natural da ANP – dados consolidados

Por sua vez, a produção de gás natural do pré-sal em relação à produção total de gás produzida no país passou de 23% para 33% do quarto trimestre de 2014 para o quarto trimestre de 2015, embora tenha permanecido estável comparado ao terceiro trimestre de 2015.

Fonte: Boletim Mensal Da Produção De Petróleo E Gás Natural da ANP – dados consolidados

Última atualização em 2016-08-01T11:47:29

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